Esta ideia é um remastigar de pensamentos da danah boyd. Não que antes de tomar conhecimento da autora não pensasse já nestas coisas, o que se passa é que ela aprofundou estes temas até um ponto em que vale a pena indicá-la como referência na área sempre que possível.
O post anterior acerca do programa START levou uma mossa da minha parte porque utilizou a palavra START em vez de INÍCIO (sim é um pouco hipocrisia da minha parte estar a tocar no assunto dado que escrevo maioritariamente em Inglês, mas bear with me for a bit ;)).
Enquanto traduzia o título senti a necessidade e contextualizar o prémio nacional como sendo referente à nação portuguesa. Ou por outras palavras, a utilização da palavra “nacional” sem dizer qual é a nação em questão deixa ainda em aberto a questão de qual dos PALOPs o dito prémio se refere.
Poderão dizer: “Oh Davide, pah. Lembras-te de cada uma. É claro que era Portugal porque foi o António que te passou isso.”. E daí o “bare with me”…
A questão é que o site do concurso está online e a facilidade com que os recursos online são encontrados via motores de busca e assim descontextualizados é simplesmente brutal.
Não notei isto sobre a palavra “nacional” por acaso. A utilização da mesma palavra em Inglês já tem activado este mesmo pensamento várias vezes: National Bank, National Theatre, National Library. Todos estes conceitos são considerados válidos e únicos quando a pessoa está a passar ao lado dos edifícios, ou vive no país onde está a ler o nome da instituição. Na Internet, não é assim. O contexto ficou apenas na cabeça da pessoa que estava a registar o conteúdo online e nunca foi embebido no conteúdo.
Mas pronto, isto era apenas a introdução.
Da mesma forma que as pessoas não se apercebem da descontextualização potencial que o conteúdo online que produzem pode sofrer também não se apercebem da duradoura persistência que esse conteúdo adquire quando passa para a nuvem.
A descontextualização pode ser temporal, geografica, social… é só puxar pela cabeça: pais a lerem mensagens dos filhos, futuros patrões a verem fotos dos empregados de há uns anos atrás, perseguidores a referenciarem várias fontes para analisar a vida de uma pessoa.
Com as actuais capacidades em termos de pesquisa facilmente um pedaço de texto é retirado da conversa que o continha, e com a mesma facilidade são feitas interpretações sobre essa informação.
Concluíndo… como não temos garantias que aquilo que metemos online (um mail, uma foto ou um vídeo) não vai surgir daí a uns mesitos mesmo a jeito de nos lixar… uma entrevista de trabalho, um encontro com aquela rapariga bestial, um casamento ou sabe-se lá o quê. Mais vale começar a policiar os nossos próprios comportamentos e educar os nossos filhos (os vossos pelo menos) para que estejam cientes de que o conteúdo online não esquece, nem perdoa.
Ena pa! Que grande final. Isto de escrever em português é bem mas fácil que em Inglês. 