Investigador defende que governos devem utilizar as ferramentas da Web 2.0

Estava eu muito contente a escrever um comentário à notícia que apareceu no jornal Público, quando me cortaram as pernas, ou melhor, o limite de caracteres. Liberdade de expressão no seu melhor. :|

Segue-se o meu comentário original na íntegra:

Concordo com a utilização da Internet como forma de agilizar a máquina do espaço. No entanto, não concordo que “wikis, blogs e sites sociais” sejam a panaceia para melhorar o governo.

Neste momento todos os cidadãos podem ter o seu púlpito: basta criar um blogue e eis que as nossas ideias podem chegar a milhões de pessoas (bom… para isso acontecer as pessoas têm de visitar o blogue). Isto altera um pouco as regras do jogo: para me tornar popular não preciso de ter o meu nome no jornal da minha zona, nem tão pouco concorrer à Junta ou Câmara, posso atalhar e, depois de inspirado por uma sessão da Assembleia da República, começar a versar sobre políticas como se soubesse do que estava a falar. Com alguma sorte (link baiting) eis que vou subindo no índice da Internet (a versão online de uma hierarquia política) e quando dou por mim o meu blogue surge em primeiro lugar quando os cidadãos fazem pesquisas por novas leis ou informações acerca de dirigentes políticos.

A Internet permite que a comunicação entre pessoas se processe de uma forma nunca antes possível na história da humanidade. No entanto, as tecnologias que temos actualmente são ainda embrionárias e apresentam graves falhas no que diz respeito ao controlo da privacidade, dos dados e da visibilidade das nossas ideias.

Estamos a lidar com um meio cujas consequências são tanto positivas como negativas (mas onde os aspectos positivos são aclamados).

Pegando no exemplo relativo às eleições norte-americanas podemos dizer que ficou a ganhar quem melhor tirou partido da tecnologia e não necessariamente a pessoa melhor qualificada. O potencial viral das comunicações na Internet abre a porta tanto para a divulgação de produtos como de presidentes. Assim, torna-se vital dar um passo atrás e começar a repensar conceitos como “direito de antena”, popularidade, boato e por último “partidos políticos”.

Não é uma questão de aplicar ferramentas “web 2.0″ à governação, mas sim de desenvolver ferramentas que, respeitando os direitos das pessoas, permitam uma comunicação mais eficiente e transparente entre os cidadãos e os seus representantes.

Um recurso interessante para verem o lado negativo da Internet é o livro “The Future of Reputation” (leitura gratuita online).

Se quiserem comentar façam-no aqui. Isto de ter de ir visitar outro site para ler comentários só porque o público.pt não tem “Feeds para os comentários” não é para mim. :P

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